quarta-feira, 30 de agosto de 2017

ARQUITETO... de Arquitetura ou de Sistemas?

 Atualmente está a maior confusão  no mercado de trabalho devido ao uso indiscriminado da palavra 'arquiteto'.  No entendimento popular está mais ou menos assim definido 'Arquiteto é qualquer um que constrói ou inventa qualquer coisa.' Então hoje vai aí um pouco mais de recheio para você entender essa polêmica e, quem sabe,  escolher um lado, o dos Indignados ou dos Conformados com a situação. 
O erro começa, como já disse, na aplicação da palavra. Veja a etimologia da palavra 'arquiteto':
[A palavra 'arquiteto' vem do grego arkhitektôn que significa "o construtor principal" (arqui = principal / tectônica = construção) ou "mestre de obras". A compreensão desta etimologia, porém, pode ser expandida na medida em que a palavra 'arché' deixa de ser entendida como "principal" e passa a ser analisada como "princípio". ] Fonte: Wikipedia. 
Portanto, usar a palavra 'arquiteto' para sistemas é um erro crasso pois,  embora aquele profissional esteja construindo algo, ele não está construindo Arquitetura, e sim tecnologia. Outro erro acontece pois a tecnologia é coisa do início do séc. 20, portanto não tem nada a ver com 'arché', não é antiga, não é a primeira, não é princípio. 

É um fiozinho solto e comprido no vestido da senhora 'Pós-Modernidade'.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

'Este Mundo Tenebroso' ou 'Rosinha Perde O Celular No Shopping'

Prezado Professor__________

Hoje, quarta feira, foi um dia terrível para mim. Vi 03 acidentes no trânsito e 01 deles foi quase em cima de mim, entrando na Saraiva dentro do shopping, onde fui procurar um livro. Achei o livro, saí da Saraiva e fui para o estacionamento pegar meu carro. Me dei conta que faltava o celular. Gelei... pensei, 'meu Deus, onde foi parar meu cel?' Eu sou muito, muito, muito, distraída... naquele nível de ver elefantes-cor-de-rosa-voando. Subi correndo de volta para a livraria, pensando 'deixei em cima do balcão do caixa na hora de pagar o livro' porque me lembro bem de ter, naquela hora, olhado as horas no celular. Cheguei na Saraiva e perguntei do celular, ninguém tinha visto e ninguém tinha achado nada. Eu sentia um arrepio gelado me descer pela coluna, pensando nas minhas imagens de edificações icônicas da Arquitetura Clássica, do Renascimento, nas obras preciosas de Bernini e Borromini, Michelangelo, Caravaggio (me passava a galeria dos gênios pela mente). Em seguida fui pensar nos meus contatos (alunos, clientes, familiares e amigos); nos meus emails, nos meus PDFs salvados (alguns raros), nos meus livros virtuais, nas minhas imagens de projeto de Arquitetura e Interiores, tão trabalhadas, depuradas e melhoradas para irem, lindas e maravilhosas, para dentro de um belo portfolio. Me veio a vontade de chorar, mas me contive. Precisava agir rapidamente e chorar não ia me ajudar em nada. Fui lá fora, procurei um segurança, expliquei toda a história, e pedi a ele: 'por favor, você pode ligar no meu celular pois ele está perdido (poderia inclusive estar sobre uma pilha de livros lá na livraria... esquecido) e a moça da livraria está esperando para ver se toca, eles vão procurar sobre os stands...'. Eu arfava, sem folego. O segurança, com um olhar neandertal, me respondeu: 'não posso fazer ligação de celular'. Da vontade de chorar, em segundos mudei para o modo ataque-esse-energúmeno-com-as-duas-mãos-no-pescoço-dele-e-aperte-com-todas-as-suas-forças'. Mas se eu fizesse isso eu perderia minutos preciosos e o meu querido-precioso-tesouro-cheio-de-dados-64gb-celular-novinho-em-folha estaria indo embora em mãos alheias, sabe-se lá se pertencentes a uma boa alma ou a uma alma larápia. Então, virei as costas e corri para o estacionamento, alcancei a porta de vidro automática e quase colidi com um casal que estava entrando (esses tinham cara de alma boa, senti isso quando olhei os dois nos olhos), e tive a brilhante ideia de pedir 'por favor, você me emprestaria seu celular para eu poder ligar para o meu celular que está (coitadinho) perdido (e aflito) em cima (Deus queira) de uma pilha de livros na Saraiva (esperando como criança perdida, a mãe ir buscar). Ele olhou para mim bem calmo, sacou do celular dizendo, 'sim, claro!' enquanto a outra boa alma feminina (que olhos...) me disse em voz suave e terna 'fique calma'. Um único toque e uma outra voz feminina responde... 'pois não?' O moço me passa o cel dele e eu começo a ladainha: 'Moça... (rezando para que ela fosse uma alma boa, mas eu não lhe podia ver os olhos, eu só ouvia aquela voz feminina (para reconhecer se a alma é boa ou não pela voz, demora muito mais tempo e requer muita prática. Eu sou melhor em decifrar pelos olhos) ... 'eu perdi meu celular, você está com ele (claro!), como você se chama e onde você está, me diga por favor... e muito obrigada por atender meu celular!' E a voz suave continuava, parecia que ia rir, mas não riu, sorriu (acho eu que sorriu, pelo barulhinho que fez) e respondeu 'sim, achei' (nessa hora tive certeza, não pelo verbo mas pelo som da sua voz, que ela era uma alma boa) e ela continuou... 'atendi porque a primeira coisa que alguém faz quando perde o celular é ligar de outro celular para o seu celular perdido! (Olha que fofa) e em seguida, me disse rapidamente onde estava. Subi, corri, arfei, transpirei, fui desviando das pessoas e dizendo a mim mesma 'calma, vai desacelerando porque está tudo bem, a moça de voz suave é alma boa que achou seu celular e esta esperando por você em frente aquela loja de sapatos ... no piso...' Oh, céus. Cheguei no piso, virei a primeira esquina e vi mais a frente um banco onde algumas pessoas estavam sentadas olhando seus celulares e cuidando das suas vidas e nem aí com quem passava, porém havia uma moça que olhava ao redor, como quem procurasse alguém. Pensei, 'é ela a alma boa, porque aquela voz combinava com aqueles olhos bonitos e ternos, olhos pretos, levemente amendoados, que estavam quase tão aflitos quanto os meus a procurá-la, mas ela parecia ter mais esperança do que eu. 'Cristiana?', perguntei. Já bem perto dela, ela me sorriu assentindo e se levantou, estendeu a mão branca e fina para mim, nela meu precioso (filho?) celular, intacto, como protegido pelas mãos daquela... fada? (não, não era fada, as fadas são baixinhas) ou anjo? (não, não era um anjo, os anjos são muito altos), daquela alma boa. Peguei o filho (ops!) quer dizer, o celular, balbuciei um agradecimento, dei a volta no banco para dar-lhe um handshake mas ao pegar naquela mão tão branca e tão bondosa... (também sei perceber pelo toque e pelo gesto se uma alma é boa ou se é alma vil e larápia) senti uma paz tão grande e uma ternura e um enlevo que lhe pedi 'posso te dar um beijo?' ao que ela respondeu: 'sim, claro!'. Assim, ela me abraçou, e eu a ela, eu queria chorar no seu ombro, eu queria convidá-la para ser minha amiga do peito, eu queria dizer que ela tinha uma alma boa, olhos que eram duas estrelas no firmamento e um coração de ouro mas eu não disse nada, só disse 'obrigada, mesmo, muito obrigada'. Que linda, só podia ter esse nome mesmo, 'Cristiana', que vem de 'Cristo', que mais eu poderia querer? Orei naquele instante, enquanto a escada rolante me levava para baixo... 'Senhor Jesus, o Cristo, bem sei que o Senhor sempre foi fantástico, mas hoje o Senhor se superou, em tempo e em performance... e estando os Seus anjos ocupados, o Senhor achou uma alma boa para fazer a função de um anjo relâmpago e me abençoar. Puxa vida, muito obrigada, eu não tenho como agradecer. Isso foi incrível. O Senhor merece, como sempre, os parabéns.'
Saindo do shopping, coração descompassado, boca seca, descabelada, provavelmente com a maquiagem borrada, tipo 'elegância zero', me veio à mente aquela nossa conversa de ontem sobre as terças tenebrosas e pensei, 'se há terças tenebrosas, quartas tenebrosas também existem, e pelo jeito esta quarta ficou pra mim, porque o pobre do meu professor já pegou as terças...'. Mas logo depois me lembrei do verso oitavo e último daquele Salmo 4, falei para mim mesma aquelas palavras e, como por mágica, meu coração se acalmou e eu fui voltando ao normal (normal?) e não fiquei mais pensando que a-próxima-quarta-também-poderia-muito-bem-ser-tenebrosa-porque-a-terça-tenebrosa-do-professor-se-repetiu-na-semana-seguinte-então-se-ele-teve-coitaaaado-duas-terças-tenebrosas-e-eu-certamente-terei-duas-quartas-tenebrosas-também. Conclusão: qualquer dia pode ser maravilhoso, como qualquer dia pode ser tenebroso, o que importa é reconhecer a alma boa no seu dia ruim, e ser a alma boa no dia ruim de alguém, e louvar Aquele que as envia para nos abençoar, estando os Seus anjos ocupados neste mundo-meio-maravilhoso-e-meio-tenebroso. Escrevi emendando tudo para você saber como eu perdi o fôlego neste episódio.
Sem mais, despeço-me e afirmo presença na próxima aula, na terça-feira, mesmo horário, mesma sala, mesma universidade.
Grata,
Rosamaria
.
P.S.: E agora me dei conta que não acho o livro comprado!

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Inquietude

Lucy, com preguiça de subir a escada, deitou-se no sofá. Fui lá, pequei-a no colo e a levei pra cima. Fechei a porta do quarto para garantir que não saísse. Contrariada, ela levantou da cama e entrou no banheiro, subiu na pia e alcançou a janela zenital que é onde ela gosta de ficar, bem no alto observando tudo e ninguém podendo pegar nela. Tranquila por saber que ela estava dentro de casa, voltei para minha cama. Estranhei o silêncio, achei melhor ir ver. Ela não estava mais. Pulou para o quintal e sumiu na noite. Desci as escadas esperando encontrá-la lá em baixo no jardim. Que nada. Ganhou o mundo, sumiu no meio da escuridão. Fui ver na rua, chamei, chamei, nada. A rua estava tão vazia, um silêncio, um frescor no ar tão agradável, que eu quase a desculpei por ter saído. Fiquei tentada a dar uma volta mas me dei conta da insensatez que seria isso. Eu, lá fora, aquela hora da madrugada, de camisola, chamando pela gata. Que cena patética. E se um vizinho me vê? Morro de vergonha. Resolvi entrar e me conformar. Tranqueia porta na esperança de ouvir um barulhinho dela voltando. Nada. Apaguei a luz do corredor. A casa ficou completamente no escuro. Deitei. Voltei para o livro. Não conseguia mais me concentrar para ler. Essa filha peluda adolescente sai e não tem hora pra voltar. Eu queria muito saber onde ela foi. Será que foi namorar? Mas ela é castrada. Mesmo assim, pode ter algum amigo. Ah, me senti ridícula, elucubrando sobre a vida amorosa da gata. Deixa pra lá. Já que não conseguia ler, me aquietei para esperar o sono. Fiquei pensando no ar da rua, no sumiço da gata. Na noite cálida lá fora que oferecia suas estrelas a quem quisesse. E não havia ninguém para querê-las.Talvez só os gatos. Como o ser humano é tonto.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

POEM ABOUT TWO ROSES

To my sister Andrea

'I think of you
when I'm happy and my heart overflows.
I think of you
when I'm sad and my soul is stilled.
I think of you
because I can not forget you,
because wherever I go
I carry you with me.
My flower, my daughter,
my sister, my friend,
my sunshine...

I hope to see your face
as the flowers wait for the sun.
We'll run in the garden,
hear the singinf of birds,
see the buds os spring
and make music of our stories
and poems of our sorrow
and SOMEONE will be happy to hear.'


November, 10th 2012

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Agenda

Eu não tenho mais agenda. Eu não quero mais ter agenda. Resolvi que não vou comprar uma nova. Percebi que a agenda me atrapalha. Primeiro porque eu quero anotar tudo, cada coisa, tarefas misturadas com pensamentos e desenhos. Aquilo vai ficando uma rabisqueira. Segundo porque ela me estressa. As coisas não acontecem só porque estão escritas em um papel. Escrevê-las no papel nos dá uma sensação de controle, mas é uma ilusão.
Agenda de papel, agenda no celular. Ah, tenha dó. A gente não vive, mas anota. Se foi pra anotar, prefiro escrever um texto, uma história. Acho que nasci contadora de histórias. Minha mãe era contadora de histórias. Culpa dela. A agenda não nos faz mais eficientes, porém nos torna mais sofridos, estressados. Se for pra controlar alguma coisa, é melhor ter uma secretária. Eu não nasci pra controlar nada. Talvez, com alguma sorte, eu possa criar alguma coisa. Isso sim, é um propósito. É uma veia que lateja em mim, a criação. O controle deixo pra outras pessoas. Há quem tenha talento pra isso.
O que eu vou fazer hoje? Se a resposta não estiver na minha cabeça logo após eu acordar, é porque não é tão importante assim. E se não é tão importante assim, pra que a pressa? Eu não corro mais pra nada. O tempo é a coisa mais estranha do mundo. Você tem mas não pode dar. Você tem mas não pode guardar. Se estiver sobrando, gasta mas se estiver faltando nada o repõe. O mundo grita e esperneia porque quer o meu tempo, a minha atenção. E eu gasto meu tempo com coisas que os outros querem que eu faça ou pense. Me chamem de egoísta mas eu preciso de tempo comigo. Onde já se viu, a pessoa mais importante do mundo pra mim não ter o meu tempo? Quando digo mais importante, não quero com isso parecer pretensiosa. É a mais importante porque eu moro nela. Eu e eu. Não tenho como fugir disso. E essa pessoa que eu sou foi sempre o meu maior desafio. Como funciona? Quando quebra, como conserta? Então, a vida segue. Irregular. Indomável. Imprevisível. Indescritível. Incontrolável. Inagendável. Livre como o vento. E como o vento, vem, bate, sacode de leve (ou não) a gente como um trigo. E quem sabe leve a palha, que não presta pra nada. E fique o grão, o momento.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Armadilhas Explicativas

Onde você vai? Não sei, vou sair. Agora já ninguém mais pergunta e de certa forma isso é muito bom. Dar satisfação cansa. Cansa porque quanto mais a gente explica, menos os outros entendem. Quanto mais se fala, menos valor se dá para o discurso. Sonho com o dia em que não direi nada e não sentirei com isso nenhum remorso. Certamente, algumas coisas vão se perder. Terei que dizer adeus. Mas um adeus simples e puro, sem explicações. Um adeus leve, acompanhado de uma mala pequena para uma viagem longa.
Alguém me disse que na fase em que estou tenho que fazer uma viagem sozinha. É uma receita terapêutica. "Faça uma viagem sozinha", um amigo me diz. Me imagino no convés de um navio, a despejar no mar minha bagagem imaginária.
Isso seria libertador. Sonho com o dia que viverei o que sonho, sem relógio nem obrigações, no lugar que escolhi. Porém sempre haverá o dever. Sempre se deve alguma coisa a alguém. Sempre uma satisfação a dar, ainda que tudo seja claro e notório, as pessoas querem explicações. Hoje ouvi um conselho: "cuidado com as armadilhas explicativas!". Fiquei pensando nisso e vi que eu caio sempre nelas. Estou sempre me sentindo na obrigação de me explicar, como se eu falasse outra língua, como se eu viesse de outro planeta e ninguém soubesse o que eu sou, ou quem eu sou. Como se a explicação me fosse diminuir alguma culpa. Será que é culpa? Culpa pelo quê, não sei. Coisa para se pensar no divã do analista. Explico, deixo recado, escrevo bilhete. Agora, para ajudar, tem essa praga de rede social. Dizem que é útil. Útil, pra quem? Já vi que pra mim, não é. Me estorva. Me cansa o palavrório que nada diz. Vazio de tudo, e ainda assim vibrante, cheia de novidades. Como pode, não sei.
Guardo a foto da praia na gaveta, triste. Assim como a rede de sarja de algodão listrada de azul marinho e branco.
Um dia, inverto. Ponho todas as coisas que eu não gosto dentro de uma mala e solto todas as que amo. Será divertido. Será maravilhoso ir para um novo lugar e ficar. Um lugar novo, uma vida nova, sem explicações. Quem entendeu, ótimo, quem não entendeu, não vai entender nunca, nem que eu me explique com milhões de palavras. Ora, mas já não está escrito nos meus olhos o que eu sou?
Inveja da gata, que sai de noite e perambula por onde bem entende, independente da minha aflição. Quando ela volta, mia, faz chamego. Eu pego no colo, feliz porque ela voltou. E ela, feliz, porque não tem que me explicar nada.
Um dia, vou, fico e faço como quiser. Um dia, perco o medo das armadilhas explicativas.
Sinto que esse dia está cada vez mais perto, mais perto do que as pessoas imaginam e mais longe do que eu gostaria.
Nesse dia, respirarei sem amarras. Sentirei o prazer de se viver sem dever.
Viver da melhor forma que eu posso com o que eu tenho. Ainda que eu não tenha quase nada.
E sem ter nada, poder ficar em silêncio diante do mistério e da beleza do mar, de se viver com menos coisas, de se viver a vida pela sua essência. E só.

Amigos

Amigos não se medem pela distância.
Amigos não se medem pelos elogios rasgados, nem pelos favores que nos fazem, nem pela prestação de serviços.
Pessoas não são amigas só porque nos enviaram um telegrama.
Pessoas não se tornam amigos só porque nos trazem presentes.
Pessoas não se tornam amigos fazendo longos discursos, mesmo porque, diz um velho ditado que "quanto mais longo é um discurso, pior ele é".
Pessoas não se tornam mais amadas só por nos darem carinho físico, às vezes, um carinho tão pesado e sufocante, que nossa fragilidade momentânea não pode suportar.
Pessoas nem sempre se tornam amigas só por terem o mesmo sangue.
Conhecidos não se tornam amigos por frequentarem os mesmos lugares.
Amigos não deixam de ser amigos porque o tempo ou a vida os levou para direções opostas.
Amigos se medem pelo amor guardado nos seus corações, porque esse amor os leva a pensar sempre em nós, sendo-lhes impossível nos esquecer.
Amigo é aquele cujo coração sofre no primeiro segundo em que sabem que estamos sofrendo.
Amigos são aqueles que pedem, choram e clamam ao Pai por nós e, com suas lágrimas, regam nossas feridas.
Amigos são os que nos carregam em seus corações e querem, de bom grado, ajudar a carregar o nosso fardo.
Amigos jamais impõem sua presença.
Amigos são aqueles de poucas mas sinceras palavras, mas palavras escolhidas entre as mais excelentes, palavras de amor, de sabedoria, de conselho, de esperança, de retidão.
Amigos são aqueles que se esforçam para nos avisar, da melhor maneira e com as melhores palavras, que estamos, sem perceber, desviando nosso barco do rumo correto.
Amigos são aqueles que, com toda suavidade e amor que tem, cuidam daqueles que amamos, quando não nos é possível cuidar. São aqueles que, sem pensar duas vezes, largam tudo o que estão fazendo e vêm ao nosso encontro para nos socorrer.
Amigos são aqueles que nos abrem a sua alma e, rasgando seu próprio coração, choram a nossa dor. Ou, ao contrário, superando suas próprias tristezas, se alegram com a nossa alegria.
Amigos são aqueles que, estendendo seus braços, transpõem todas distâncias do mundo, cruzam continentes, atravessam mares, lutando para chegar, o mais rápido possível, perto de nós.
São os que sem palavras, olham nos nossos olhos e, vendo nossa dor, choram, se colocam humildes e emudecidos ao nosso lado.
Amigos são aqueles que, no silêncio, choram, pedindo e clamando, de joelhos, em oração diante do Pai, o Único que pode verdadeiramente socorrer a todos, em tudo.